Foram 500 deals no Brasil. Agora, a igc quer o mundo lá fora

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Em 1994, quando ainda dava os primeiros passos na carreira no antigo Garantia, Dimitri Abudi participou de alguns processos de M&A - sempre do lado do buyside.

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Mas durante as negociações, percebeu que os compradores, por causa de seu tamanho e de contar com a assessoria de grandes bancos, sempre levavam vantagem sobre as empresas menores.

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"Era um massacre", Dimitri disse ao Brazil Journal.

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O banqueiro resolveu mudar de lado - e passar a atender pequenos e médios empresários até então desassistidos. Em 1997, fundou a igc partners com um único mantra: atender somente os vendedores.

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A lógica é simples: sem nunca representar compradores, a igc pode sempre brigar pelo melhor valor possível na hora de fechar o deal.

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"Como eu nunca trabalho com o comprador, não quero agradá-lo. Nós entregamos o que nenhum banco entrega porque não há esse conflito," disse Dimitri

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Esse modelo fez a IGC prosperar. Desde a fundação, a boutique fechou 520 deals – somente em 2025 foram 40 negócios que somaram R$ 10 bilhões. O valor médio das transações gira entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões.

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Agora, a IGC quer levar a sua tese para o exterior. Segundo Dimitri, esse movimento aconteceu naturalmente, já que a companhia sempre teve bastante contato com investidores e empresas estrangeiras.

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“Conhecemos compradores e investidores de todo o mundo, e que muitas vezes ninguém conhece. Isso ajuda muito na conversa com as empresas que estamos prospectando,” disse Dimitri. 

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Segundo ele, isso acontece porque a IGC opera como se tivesse dez pequenas boutiques internas, cada uma dedicada a uma indústria: agro, tecnologia, IT services, consumo, saúde, real estate, industriais, business services, financial services e químicos.

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“Isso faz com que nós consigamos mapear compradores que não estão no radar óbvio da Faria Lima. Pegamos uma empresa do Russell 2000 ou do Mittelstand, da Alemanha, e juntamos com um brasileiro aqui,” disse. 

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Nos últimos três anos, a IGC trouxe 12 compradores globais inéditos ao Brasil.

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Um exemplo foi a belga Oleon, uma das líderes globais do setor de óleos vegetais, que comprou a operação da A. Azevedo Óleos em 2024. A IGC também fez a assessoria financeira do aporte da CRMBonus feito pela Bond, a gestora de São Francisco fundada por Mary Meeker.

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Para estruturar a expansão internacional, a IGC está adotando dois modelos diferentes. 

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Na América Latina, optou por manter a base em São Paulo e contratar talentos locais: hoje são dois colombianos e dois argentinos responsáveis por cobrir Argentina, Chile, Colômbia e México. O time já tem mais de 20 mandatos na região.

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Já nos EUA, a estratégia é outra: a IGC enviou um de seus sócios, Rafael Bologna, para liderar a operação e abriu um escritório próprio em Miami, onde contratou seis analistas americanos.

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Na operação americana, a IGC quer repetir o conceito de partnership que consolidou aqui no Brasil - e que Dimitri define como um dos pilares centrais da firma.

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Inspirada inicialmente no modelo do Garantia, a IGC foi estruturada desde a origem como uma partnership perpétua, sem controlador permanente e sem herança societária. 

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A empresa não pode ser vendida e, quando um sócio se aposenta, suas ações são recompradas pela própria firma.

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A IGC tem 37 sócios e, em 28 anos, apenas dois deixaram a sociedade. Além disso, a liderança é feita dentro de casa: dos 37, apenas cinco vieram do mercado. 

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“A maioria dos sócios começou aqui como estagiário ou analista. Em média, um profissional pode virar sócio em cerca de seis anos," disse Dimitri.

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O sócio-fundador diz que entrevista todos os funcionários que ingressam na IGC: especialmente para entender se eles se encaixam no fit cultural da boutique.

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“A pessoa pode ter sido o melhor aluno do ITA, mas se não encaixar na nossa cultura, não entra," disse Dimitri.

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Matéria original: Acesse aqui