O que é M&A: o que o empresário precisa entender antes de considerar vender

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M&A é fusões e aquisições — um conjunto de operações que pode incluir venda total, venda parcial, entrada de sócio, fusão ou reestruturação societária. Antes de tomar qualquer decisão, o empresário precisa entender que M&A não é apenas uma transação financeira: é uma decisão estratégica sobre controle, sucessão, crescimento, liquidez e continuidade do negócio.

O que é M&A?

M&A significa mergers and acquisitions — fusões e aquisições, em português. É o termo usado para descrever operações de compra, venda, fusão ou reestruturação societária entre empresas.

Uma operação de M&A pode ser a venda total de um negócio, a venda de uma participação, a entrada de um novo sócio ou a combinação entre duas empresas. É um campo amplo, com estruturas diferentes dependendo do objetivo de quem está à mesa.

No Brasil, o mercado de M&A movimenta centenas de operações por ano, de diferentes tamanhos — desde deals menores em empresas médias até transações bilionárias em grandes grupos. Não existe um tamanho mínimo universal para uma empresa considerar um processo de M&A. O que determina se faz sentido buscar um processo formal é a combinação entre porte, setor, maturidade do negócio e objetivo do fundador.

Para o empresário que está considerando esse caminho pela primeira vez, entender o que é M&A significa entender que se trata de uma decisão societária, não apenas financeira. A operação envolve estrutura de capital, pessoas, governança, continuidade do negócio e o papel que o fundador terá depois da transação.

Quais são as motivações mais comuns para um empresário entrar em M&A?

A motivação mais frequente em processos de M&A é a sucessão familiar. O fundador construiu um negócio relevante, mas os filhos não querem, ou não têm perfil, para assumir a operação. Nesse cenário, vender a empresa ou trazer um sócio pode ser a saída mais racional para preservar o negócio e proteger o patrimônio construído.

Outra motivação comum é a busca por um sócio estratégico. Nem todo empresário que entra em um processo de M&A quer sair da empresa. Muitas vezes, o objetivo é crescer com mais velocidade, acessar novos mercados, incorporar tecnologia, ampliar distribuição ou trazer capital para uma nova fase do negócio. Nesse caso, a operação pode ser uma venda parcial, com o fundador permanecendo na companhia.

A liquidez do fundador também é uma motivação relevante. Depois de décadas construindo uma empresa, grande parte do patrimônio do empresário pode estar concentrada no próprio negócio. A companhia pode valer muito, mas esse valor é ilíquido. O M&A pode ser o mecanismo para transformar parte desse patrimônio em liquidez real.

Também existem casos de saída de sócios, quando os sócios passam a ter objetivos diferentes; busca por capital para expansão acelerada; e situações de distress, quando a empresa enfrenta desafios financeiros ou operacionais. Cada motivação aponta para um tipo diferente de operação e para um perfil específico de comprador.

Quais são os tipos de operação que existem em M&A?

O erro mais comum é pensar que M&A significa apenas vender a empresa inteira. Na prática, uma operação de M&A pode assumir diferentes formatos.

A aquisição total acontece quando o comprador adquire 100% da empresa. Nesse caso, o fundador pode sair completamente da operação ou permanecer por um período de transição, dependendo da negociação.

A aquisição parcial com troca de controle acontece quando o comprador adquire uma participação majoritária, passa a controlar a empresa, mas o fundador mantém uma fatia do negócio. Essa estrutura pode permitir que o empresário receba liquidez agora e continue participando de uma possível valorização futura.

A recapitalização, ou venda minoritária, ocorre quando entra um sócio financeiro ou estratégico sem assumir o controle da empresa. É uma alternativa comum para fundadores que querem liquidez parcial, capital para crescimento ou apoio estratégico, mas ainda desejam seguir no comando.

A fusão acontece quando duas empresas se combinam para formar uma operação conjunta, que pode ou não resultar em uma nova entidade. Esse tipo de operação costuma buscar complementaridade, escala, eficiência ou fortalecimento competitivo.

Também existem operações de fundraising, nas quais a empresa capta capital com a entrada de um novo sócio. Mesmo quando o fundador continua no controle, esse tipo de transação também pode ser considerado parte do universo de M&A.

Cada estrutura tem implicações diferentes para o fundador: quanto ele recebe no fechamento, quanto pode receber depois, qual será seu papel na empresa pós-deal e qual risco continuará carregando. Definir a estrutura correta é uma das partes centrais do trabalho de um assessor de M&A.

Quem são os compradores em M&A?

Em um processo de M&A, nem todo comprador olha para a empresa da mesma forma. O perfil de quem está do outro lado da mesa influencia diretamente a negociação, o valuation, a estrutura de pagamento e o papel que o fundador poderá ter depois da transação.

De forma geral, os compradores se dividem entre estratégicos e financeiros. Compradores estratégicos são empresas do mesmo setor, ou de setores adjacentes, que veem na aquisição uma forma de acelerar crescimento, ganhar mercado, ampliar portfólio, acessar novas regiões ou incorporar capacidades que ainda não têm internamente. Para esse tipo de comprador, a empresa adquirida pode valer não apenas pelo resultado financeiro que gera hoje, mas pelas sinergias que cria dentro de uma operação maior.

Já os compradores financeiros analisam a empresa principalmente como uma oportunidade de investimento. Esse grupo inclui fundos de private equity, family offices, search funds e, em alguns casos, fundos de venture capital. Cada um tem uma lógica própria. Um private equity costuma buscar empresas com potencial de crescimento, profissionalização e valorização em um horizonte de médio prazo, normalmente com uma saída futura planejada. Um family office pode ter uma visão mais paciente, buscando diversificação patrimonial e retorno de longo prazo. Um search fund, por sua vez, geralmente envolve um empreendedor que capta capital para adquirir uma empresa, assumir sua gestão e conduzir uma nova fase de crescimento.

Também existem compradores internacionais, que podem ser empresas ou fundos estrangeiros interessados em entrar ou expandir sua presença no Brasil. Esse perfil costuma buscar acesso ao mercado brasileiro, ativos estratégicos, presença regional ou capacidades locais que complementem sua atuação global. Para o empresário vendedor, a entrada de compradores internacionais no processo pode ampliar a competição pelo ativo e trazer alternativas que não apareceriam em uma abordagem restrita ao mercado local.

Por isso, mapear compradores não é apenas montar uma lista de interessados. É entender quem pode enxergar mais valor naquela empresa, qual comprador tem maior capacidade de executar a transação e qual perfil faz mais sentido para os objetivos do fundador. Em M&A, encontrar o comprador certo pode ser tão importante quanto negociar o preço certo.

Como funciona, na prática, um processo de M&A?

Um processo de M&A bem estruturado começa antes de qualquer negociação com compradores. A preparação prévia é uma das etapas mais importantes. Ela envolve a organização das informações financeiras, a revisão dos principais dados da empresa e a identificação de possíveis riscos que podem surgir na due diligence.

Due diligence é a etapa em que o comprador analisa o negócio em detalhe antes de concluir a transação. Nessa fase, são avaliados dados financeiros, jurídicos, fiscais, operacionais, comerciais e societários. Quanto melhor a empresa estiver preparada, menor a chance de perda de valor ao longo do processo.

Depois da preparação, o assessor de M&A mapeia e aborda compradores potenciais. Compradores estratégicos e financeiros podem ser abordados simultaneamente em um processo competitivo. Esse formato coloca diferentes interessados competindo pelo mesmo ativo, o que tende a maximizar o valor e melhorar as condições para o vendedor.

O processo costuma seguir com a apresentação de NBOs, ou non-binding offers. Essas são propostas iniciais sem caráter vinculante, que indicam preço, estrutura e condições gerais. Os compradores mais alinhados avançam para etapas mais profundas.

Em seguida, pode ser negociada uma LOI, ou letter of intent. A LOI é uma carta de intenção mais formal, geralmente com exclusividade temporária para o comprador escolhido avançar na análise. Depois disso, um ou dois compradores seguem para a due diligence detalhada.

A escolha do comprador não deve considerar apenas o preço. Estrutura de pagamento, condições de earn-out, prazo, garantias, governança e o papel do fundador depois do deal são pontos tão importantes quanto o valuation.

Um ponto que muitos empresários subestimam é a confidencialidade. Todo o processo precisa acontecer sob rigoroso sigilo. Funcionários, clientes, fornecedores e concorrentes não devem saber que a empresa está sendo negociada. Vazamentos podem prejudicar o valuation, gerar ansiedade interna, afetar relações comerciais e dar vantagem ao comprador na negociação.

Vender é a única opção? Quais são as alternativas?

Não. M&A é uma ferramenta estratégica, não um destino obrigatório. Para muitos fundadores, vender 100% da empresa não é a melhor resposta naquele momento.

Uma alternativa é a recapitalização. Nesse formato, o fundador vende uma participação, recebe liquidez e mantém o controle ou uma fatia relevante do negócio. Essa estrutura permite que o empresário realize parte do valor construído e continue participando do crescimento futuro.

Outra alternativa é a entrada de um sócio minoritário, financeiro ou estratégico. Esse sócio pode trazer capital, conhecimento setorial, acesso a mercado, tecnologia ou capacidade de expansão, sem necessariamente assumir o comando da empresa.

O IPO, ou abertura de capital, também pode ser uma alternativa para empresas com porte, governança e estrutura adequados. No entanto, esse caminho exige maturidade institucional, escala, previsibilidade financeira e disposição para lidar com as exigências do mercado público.

O ponto de partida correto não é “quero vender minha empresa”. A pergunta mais importante é: “qual é o meu objetivo?”. A estrutura da operação deve ser consequência desse objetivo. Por isso, a conversa com um assessor experiente precisa começar antes de qualquer decisão, não depois.

Quem assessora o empresário em um processo de M&A?

No Brasil, existem duas categorias principais de assessor que representam o vendedor em um processo de M&A: bancos de investimento e boutiques de M&A.

Os bancos de investimento têm escala, balanço, relacionamento com grandes empresas e portfólio amplo de produtos. Em muitos casos, também atuam em diferentes frentes do mercado financeiro e podem representar compradores em outras transações.

As boutiques de M&A, por outro lado, tendem a ter atuação mais especializada, foco setorial mais profundo e envolvimento direto dos sócios no processo. Dependendo da casa, a boutique pode atuar exclusivamente no sell-side, ou seja, representando apenas vendedores.

A diferença não é necessariamente de qualidade. A diferença está na posição estrutural. Um assessor que representa compradores e vendedores em diferentes deals pode ter incentivos cruzados, mesmo quando não há má-fé. A pressão para preservar relacionamentos com compradores existe. Já um assessor com mandato exclusivo do vendedor tem um único objetivo: buscar o melhor resultado para quem está vendendo.

Ao escolher um assessor, seja banco ou boutique, o empresário deve perguntar quem o assessor representa, em quais outros deals está envolvido, qual é sua experiência no setor e quem estará na linha de frente da transação. Essas são perguntas legítimas e necessárias.

O que a igc partners representa nesse mercado?

A igc partners é uma boutique de M&A fundada em 1997 com uma posição clara: representa apenas vendedores. Em 29 anos de operação, mais de quinhentos deals sell-side e 35 sócios, nunca representou um comprador. Transação sem conflito não é um slogan — é a estrutura do mandato.

O processo na igc partners é de dono para dono. Sócios lideram cada operação do início ao fim — não uma equipe júnior gerenciando o cliente à distância. A especialização setorial é parte do trabalho: conhecer o setor do empresário é o que permite identificar o comprador certo, inclusive aqueles que estão fora do radar habitual da Faria Lima.

No último ano, a igc partners trouxe 12 compradores globais inéditos para o Brasil. Em 2025, foram mais de 40 deals concluídos. Em 2026, já são mais de 20 operações até maio. Isso é o que significa ser global: mapear compradores internacionais que ainda não foram apresentados ao empresário brasileiro.

A igc partners lidera os rankings sell-side no Brasil segundo Mergermarket e TTR Data, à frente dos principais bancos de investimento do mercado. São dados externos, não autopromoção. E o que eles medem, no fundo, é o resultado de ter um assessor cujo único trabalho é defender o vendedor.

Perguntas frequentes

M&A é sempre uma venda total da empresa?

Não. M&A inclui vendas totais, vendas parciais, entradas de sócios minoritários, recapitalizações e fusões. O formato depende do objetivo do fundador. Muitos empresários fazem uma recapitalização: vendem uma parte, recebem liquidez e continuam na empresa com um sócio ao lado.

Quem pode participar de um processo de M&A como comprador?

Podem participar compradores estratégicos, como empresas do mesmo setor ou de setores adjacentes, e compradores financeiros, como fundos de private equity, family offices, search funds e fundos de venture capital. Compradores internacionais também podem participar, especialmente quando buscam acesso ao mercado brasileiro, ativos estratégicos ou expansão regional.

Quando faz sentido buscar um assessor de M&A?

Faz sentido buscar um assessor antes de tomar qualquer decisão definitiva. A preparação prévia, a organização das informações, a identificação de riscos e a definição do objetivo do fundador são etapas que influenciam diretamente a qualidade do processo. Um assessor experiente deve ser envolvido cedo, não apenas na hora de negociar.

O que é um processo competitivo em M&A?

Um processo competitivo é aquele em que o assessor aborda múltiplos compradores ao mesmo tempo, colocando diferentes perfis de interessados competindo pelo mesmo ativo. Isso tende a maximizar valor e melhorar as condições para o vendedor. O processo deve acontecer sob rigoroso sigilo.

Qual é a diferença entre banco de investimento e boutique de M&A para quem está vendendo?

Bancos de investimento têm escala, portfólio amplo e relacionamento com diferentes agentes do mercado. Boutiques de M&A tendem a ter atuação mais especializada, envolvimento direto dos sócios e, em alguns casos, mandato exclusivo do vendedor. Para quem está vendendo, a posição estrutural do assessor importa tanto quanto sua reputação.

Conclusão

M&A é uma decisão estratégica sobre o futuro da empresa, do fundador e dos sócios. Pode significar venda total, venda parcial, entrada de sócio, recapitalização ou fusão. O melhor caminho depende do objetivo do empresário, do momento do negócio e do tipo de parceiro que faz sentido para a próxima etapa.

Se você está começando a pensar em M&A — seja para vender, trazer um sócio ou entender suas alternativas — a conversa com um sócio da igc partners começa aqui. Sem compromisso, sem script.

Por Murilo Oliveira — Sócio, igc partners