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Etapas de fusão e aquisição: como vender sua empresa

Etapas de fusão e aquisição: como vender sua empresa

Escrito por: Murilo Oliveira, Sócio, igc partners (https://www.linkedin.com/in/murilo-capellini-carvalho-de-oliveira-702844a1)

Principais lições deste artigo

  • Preparar com antecedência, organizando finanças, mapeando contingências e construindo uma tese de investimento, é a fase mais crítica e pode elevar o valor final em até 30%.

  • Manter sigilo e criar competição entre múltiplos compradores qualificados protege o valor. Aceitar o primeiro interessado sem testar o mercado costuma ser o erro mais caro.

  • Definir bem a estrutura do negócio é tão importante quanto o preço de capa. A forma de pagamento (à vista, parcelado, earn-out, garantias) determina quanto o vendedor realmente recebe.

  • Antecipar a due diligence na fase de preparação evita surpresas, reduz descontos e preserva o valuation.

  • Contar com um assessor sell-side exclusivo e experiente, como a igc partners, aumenta a segurança do processo e a chance de capturar o valor máximo do negócio.

O que é M&A e por que as empresas fazem?

M&A é a sigla em inglês para mergers and acquisitions, ou fusões e aquisições. O termo funciona como um guarda-chuva para várias operações societárias: venda total da empresa, venda parcial com troca de controle, entrada de sócio financeiro ou estratégico, fusão entre duas companhias, recapitalização e até a jornada para uma abertura de capital.

No Brasil, o mercado de M&A segue ativo. O país fechou 2025 com 1.581 transações de M&A, número semelhante ao de 2024, com crescimento de cerca de 8% no valor movimentado, para aproximadamente US$ 51 bilhões. As aquisições de empresas brasileiras por investidores estrangeiros aumentaram cerca de 12% no primeiro semestre de 2025, passando de 178 para 199 operações. Os Estados Unidos lideraram como origem dos investidores, seguidos por Reino Unido, França e Espanha. Na igc, mais da metade das transações já envolve compradores internacionais.

A participação de fundos de private equity, que reúnem capital de investidores para adquirir e desenvolver empresas, e de venture capital, voltados a empresas em crescimento acelerado, subiu de 43% para 50% das operações em 2025. Para o empreendedor ou a empreendedora de médio porte, o que mais importa é o volume de transações no próprio setor, quem são os compradores ativos e quanto capital estrangeiro está entrando nesse mercado específico.

Quais são as etapas de uma fusão ou aquisição?

Um processo de M&A bem conduzido costuma levar de 9 a 15 meses. Em operações mais complexas, o prazo pode chegar a 18 ou 24 meses, conforme o porte da empresa, o setor, o perfil dos compradores e a necessidade de aprovações regulatórias. As etapas seguem uma sequência clara e são validadas pelo empreendedor ou pela empreendedora ao longo de todo o processo.

A tabela abaixo resume cada fase, seus documentos principais, prazos típicos e objetivo central.

Etapa

Documentos principais

Prazo típico

Objetivo

1. Preparação

Diagnóstico, valuation, tese de investimento, plano de negócios

2 a 4 meses

Organizar a empresa e construir a narrativa antes de ir a mercado

2. Roadshow e negociações

Teaser anônimo, NDA, carta processo, management presentations, NBOs, data room

3 a 5 meses

Criar competição entre compradores qualificados e receber propostas comparáveis

3. Due diligence

Data room completo, relatórios financeiro, fiscal, trabalhista, jurídico e ambiental

3 a 6 meses ou mais

Permitir que o comprador examine a empresa em profundidade

4. Contratos e signing

SPA (Share Purchase Agreement), garantias, retenções, earn-out

Incluído na fase 3

Negociar e assinar o contrato definitivo

5. Closing

Condições precedentes, aprovações regulatórias, registros, pagamento final

Variável

Concluir formalmente a transferência de controle

Etapa 1: preparação (2 a 4 meses)

A preparação concentra o trabalho mais sensível e ocorre de forma interna e sigilosa. Nenhum comprador é contatado nesse momento. A empresa organiza informações financeiras, antecipa o que o comprador vai encontrar na due diligence e constrói a tese de investimento que será apresentada ao mercado.

Na igc, essa fase inclui diagnóstico completo da companhia, pré-diligência, elaboração da tese de investimento, plano de negócios, valuation como valor indicativo e definição das opções de transação. O assessor busca competição entre compradores qualificados e identifica as alavancas de valor da empresa para que o preço final vá além da simples aplicação de múltiplos.

O caso da Plury Química mostra o impacto dessa preparação. O primeiro contato com a igc aconteceu em 2014. Ao longo de vários anos, igc e Plury trabalharam juntas para criar valor antes do evento de liquidez, com ajustes de posicionamento, melhorias em site e estrutura física e treinamento dos times para conversas futuras com compradores. A fase formal de preparação começou em janeiro de 2022, o roadshow em agosto de 2022, a assinatura em dezembro de 2022 e o fechamento em fevereiro de 2023, com a venda de 100% para a Manuchar.

Um cliente da igc, Joan Torrent, da Oligo Basics, empresa vendida ao Innovad Group, resumiu essa experiência ao afirmar que descobriu pontos da própria empresa que ainda não conhecia e que, sem a igc, o valor obtido teria sido de 20% a 30% menor.

Erros comuns nesta fase: começar sem preparação, não ter clareza sobre o motivo da venda, apresentar informações financeiras desorganizadas ou com pendências societárias não mapeadas.

Etapa 2: roadshow e negociações (3 a 5 meses)

O roadshow é o momento de ir a mercado com controle e sigilo. A igc aborda compradores qualificados de forma confidencial, utilizando um teaser anônimo, que apresenta a oportunidade sem identificar a companhia. Após a assinatura de um NDA, acordo de confidencialidade, a empresa passa a compartilhar informações mais detalhadas.

Os documentos centrais dessa fase incluem teaser anônimo, NDA, carta processo com regras e prazos iguais para todos, management presentations, sessões de perguntas e respostas e NBOs, propostas não vinculantes, em inglês non-binding offers.

O empreendedor ou a empreendedora chega às reuniões preparado com informações sobre cada comprador, como histórico, estratégia e motivos do interesse. Vários compradores avançam em paralelo, o que cria uma dinâmica competitiva concreta.

A venda da Sense Eletrônica para a TE Connectivity ilustra esse efeito. O empreendedor já tinha relacionamento com dois compradores tradicionais do setor. A igc incluiu no processo a TE Connectivity, que ainda não atuava no setor no Brasil. A entrada desse novo comprador gerou competição, elevou o valuation e pressionou os demais interessados. O processo foi concluído em menos de um ano, com resultado acima das expectativas.

Erros comuns nesta fase: aceitar o primeiro interessado sem testar o mercado, conduzir conversas sem sigilo, expor a empresa a clientes, fornecedores e concorrentes antes do momento adequado.

Etapa 3: due diligence (3 a 6 meses ou mais)

A due diligence, auditoria detalhada da empresa, é a fase mais técnica e costuma gerar tensão. O comprador examina todos os aspectos relevantes, e cada achado pode virar argumento para reduzir o preço. Em empresas de médio porte, uma due diligence completa leva em geral de 4 a 12 semanas, com prazos maiores em operações grandes ou com múltiplas unidades de negócio.

A tabela abaixo mostra as cinco frentes principais de análise e como cada uma pode afetar o preço final.

Área

O que é examinado

Pontos de atenção comuns

Impacto no preço

Financeira

Demonstrações dos últimos 3 a 5 anos, ajustes de EBITDA, capital de giro, qualidade dos recebíveis

Inconsistências contábeis, ajustes não documentados

Redução do EBITDA ajustado multiplica o desconto no valuation

Jurídica

Contratos, litígios, estrutura societária, propriedade intelectual, licenças

Cláusulas de mudança de controle, contratos sem cessão

Pode gerar condições precedentes ou retenções em escrow

Fiscal

Histórico de conformidade, obrigações tributárias, exposição a autuações

ICMS, PIS/COFINS, contingências não provisionadas

Passivos tributários costumam ser a maior fonte de desconto

Trabalhista

Passivos e reclamações, contratos atípicos, dependência de pessoas-chave

Pejotização, horas extras não pagas, FGTS em atraso

Exposição pode ser significativa e não aparecer no balanço

Tecnologia

Infraestrutura, segurança, titularidade do código, dependência de terceiros

Código sem documentação de titularidade, LGPD

Risco regulatório e operacional com impacto direto no múltiplo

Para mais detalhes sobre o que acontece nesta fase, veja o artigo Due diligence em M&A: o que o comprador investiga sobre a empresa.

Erros comuns nesta fase: encarar a due diligence de forma reativa, resolver problemas sob pressão em vez de antecipá-los na preparação e permitir queda de resultados durante o processo.

Etapa 4: contratos e signing

O signing é a assinatura do contrato definitivo, o SPA, sigla em inglês para Share Purchase Agreement. Nessa etapa, a estrutura do negócio ganha o mesmo peso do preço. O SPA define preço e forma de pagamento, condições precedentes, declarações e garantias do vendedor, mecanismos de indenização, earn-out quando houver e obrigações de não concorrência.

O earn-out é o mecanismo pelo qual parte do preço é paga no futuro, condicionada ao desempenho da empresa em um período definido. Para o fundador ou a fundadora que permanece à frente da companhia, o earn-out pode ser a estrutura adequada, pois permite capturar junto com a empresa o crescimento projetado. Antecipar o máximo possível do volume à vista traz mais segurança para o preço acordado. A parcela paga no fechamento dá firmeza ao negócio. Sobre a parcela condicionada, a igc negocia métricas objetivas e difíceis de manipular, de preferência vinculadas à receita. Em alguns casos, o valor recebido via earn-out supera o pagamento inicial à vista.

Erros comuns nesta fase: negociar apenas o preço de capa e ignorar a estrutura, como proporção à vista, prazo de parcelas, tamanho do earn-out, garantias, retenções e obrigações de indenização.

Etapa 5: closing

O closing conclui formalmente a venda, com pagamento do preço, transferência de controle e cumprimento das condições precedentes. Entre o signing e o closing ficam essas condições, que podem incluir aprovações regulatórias, como a do CADE, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, ausência de eventos adversos relevantes e manutenção das características do negócio.

Para mais detalhes sobre o que acontece entre a assinatura e o fechamento, veja o artigo Signing e closing: o que acontece entre assinar o contrato e concluir a venda.

Erros comuns nesta fase: permitir queda de desempenho entre o signing e o closing, o que pode afetar o preço final e enfraquecer a posição do vendedor na reta final.

Como escolher um assessor sell-side

O assessor sell-side representa quem vende e trabalha para o melhor resultado do vendedor. O assessor buy-side representa quem compra e defende os interesses do comprador. Em muitos pontos da negociação, como preço e condições, os objetivos são opostos. Para o empreendedor ou a empreendedora, a questão prática é ter clareza sobre quem está do seu lado da mesa.

O mercado oferece basicamente três alternativas, cada uma com limitações para quem vende. Os bancos de investimento têm escala e executivos experientes, porém M&A sell-side é apenas uma linha dentro de um portfólio amplo. O comprador recorrente, que consome crédito e outros serviços ano após ano, tende a concentrar os incentivos. Já as boutiques isoladas oferecem especialização e sócios na linha de frente, mas vão a mercado poucas vezes por ano e muitas atuam ora no sell-side, ora no buy-side. Por fim, conduzir o processo sozinho significa negociar sem parâmetro, sem competição estruturada e com forte carga emocional, o que costuma cobrar um preço na due diligence ou na reta final.

A igc partners ocupa um espaço específico nesse cenário, com onze boutiques setoriais dentro de uma só casa. A empresa tem escala e volume para manter sócios, associados e analistas dedicados exclusivamente a cada setor, como Agro, Business Services, Consumo, Varejo & Educação, Indústria, IT & Professional Services, Químicos, Real Estate, Saúde, Serviços Financeiros e Tech, sem abrir mão de especialização nem de cobertura ampla.

Os principais diferenciais da igc incluem:

  • Sell-side exclusivo desde 1997: a igc representa apenas vendedores. Em nenhuma transação existe relacionamento paralelo com compradores que possa criar pressão indevida no processo.

  • Sócios conduzindo 100% das transações: a relação é de dono para dono, do primeiro contato ao fechamento, com continuidade de quem lidera o projeto.

  • Qualidade com escala: cada vertical setorial oferece a proximidade de uma boutique, apoiada por mais de 200 especialistas, o maior time de M&A da América Latina.

  • Alcance global que gera competição: mais de 6.000 compradores mapeados, times em São Paulo e Miami e mais de 50% das transações com participação estrangeira.

  • Liderança comprovada: liderança em M&A sell-side na América Latina, com 118 transações nos últimos cinco anos, segundo o ranking da Mergermarket, dados de junho de 2026.

Um cliente da igc, Juliano Cornacchia, da Vórtx, relatou que, um ano e meio depois de fazer uma rodada de captação sozinho, alcançou um valuation seis vezes maior com a assessoria da igc, graças à estrutura, ao preparo e à forma de contar a história da empresa.

Para entender como o valuation da sua empresa é calculado, veja o artigo Como é calculado o valuation da minha empresa.

Perguntas frequentes sobre fusões e aquisições

Quanto tempo leva para vender uma empresa?

Como mencionado, um processo bem conduzido costuma levar de 9 a 15 meses. Em operações com múltiplas unidades de negócio, aprovações regulatórias ou compradores internacionais, esse prazo pode chegar a 18 ou 24 meses. As fases principais têm prazos típicos: Preparação, de 2 a 4 meses, Roadshow e Negociações, de 3 a 5 meses, e Due Diligence e Contratos, de 3 a 6 meses ou mais. O prazo total depende do porte da empresa, do setor, do perfil dos compradores e da profundidade da diligência. A preparação, mais do que a velocidade, determina a qualidade do processo.

O que é earn-out?

Earn-out é o mecanismo pelo qual parte do preço de venda não é paga no fechamento, mas no futuro, condicionada ao desempenho da empresa em um período definido. Para o fundador ou a fundadora que continua à frente da companhia, o earn-out pode ser uma estratégia vantajosa, pois permite capturar o crescimento projetado. Como explicado na etapa de contratos, antecipar o máximo possível do valor à vista traz mais segurança para o preço acordado, e a parcela condicionada deve se basear em métricas objetivas e difíceis de manipular, de preferência ligadas à receita.

Em alguns casos, o valor recebido via earn-out supera o pagamento inicial à vista, mesmo em estruturas com, por exemplo, 30% em earn-out e 70% à vista. O earn-out também pode incluir prêmios, em que, acima de determinados patamares de desempenho, o empreendedor ou a empreendedora fica com uma fatia maior do resultado.

O que o comprador investiga na due diligence?

A due diligence cobre cinco frentes principais: financeira, jurídica, fiscal, trabalhista e tecnologia. Em cada uma delas, o comprador analisa histórico, riscos e contingências. Em transações industriais, os pontos mais sensíveis costumam ser passivos ambientais e trabalhistas, titularidade de imóveis e contingências tributárias. O erro mais comum é tratar a due diligence de forma reativa, resolvendo problemas sob pressão em vez de antecipá-los na fase de preparação.

Qual a diferença entre sell-side e buy-side?

O assessor sell-side representa quem vende e trabalha para o melhor resultado do vendedor. O assessor buy-side representa quem compra e defende os interesses do comprador. Em boa parte da negociação, os objetivos divergem. A igc atua exclusivamente no sell-side desde 1997 e nunca representou um comprador, ao contrário de bancos de investimento e de algumas boutiques que alternam entre os dois lados da mesa.

Vender é a única alternativa?

Vender 100% da empresa é apenas uma das opções. Outras estruturas incluem venda parcial com troca de controle, recapitalização com entrada de sócio financeiro ou estratégico sem assumir o controle, entrada de sócio minoritário, fusão, aliança estratégica, captação de recursos em equity e jornada para abertura de capital. Em sucessão familiar, ainda é possível profissionalizar a gestão, separar propriedade de administração e fazer uma transição em etapas.

A pergunta central para o empreendedor ou a empreendedora é o objetivo de longo prazo. A estrutura da operação deve ser consequência direta dessa resposta.

Conclusão: o primeiro passo é se preparar

Vender uma empresa é um evento raro na vida do empreendedor ou da empreendedora. O processo envolve meses de trabalho intenso, decisões irreversíveis e uma negociação com compradores que costumam ter mais experiência. A preparação adequada e a assessoria especializada são os fatores mais críticos para uma venda bem-sucedida.

As etapas seguem uma lógica clara: Preparação, Roadshow e Negociações, Due Diligence e Contratos, Signing e Closing. Cada fase tem documentos específicos, prazos realistas e riscos que podem destruir valor. O empreendedor ou a empreendedora que se prepara com antecedência e conta com um assessor sell-side exclusivo e experiente transforma esse caminho em uma jornada mais segura, com maior chance de capturar o valor construído ao longo dos anos.

Não é necessário ter decidido vender para iniciar essa preparação. Quanto antes a conversa começar, maior a clareza sobre a situação atual da empresa e sobre o que precisa ser feito para alcançar o melhor valor no futuro. A igc acompanha empreendedores e empreendedoras por anos antes de uma transação, e o resultado desse trabalho aparece no preço final.

Vender uma empresa é um processo único. Não conduzir esse movimento sozinho reduz riscos e aumenta a probabilidade de um bom desfecho. Entre em contato e veja como a igc pode conduzir você em cada etapa, do primeiro diagnóstico ao closing.

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