Escrito por: Murilo Oliveira, Sócio, igc partners (https://www.linkedin.com/in/murilo-capellini-carvalho-de-oliveira-702844a1)
Principais lições deste artigo
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Vender uma participação minoritária exige considerar descontos por falta de controle e de liquidez, que podem reduzir o valor em até 44% quando o contrato não inclui proteções adequadas.
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Combinar os três métodos de valuation, fluxo de caixa descontado, múltiplos de mercado e múltiplos de transações comparáveis, ajuda a definir um intervalo de valor, não um número único.
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Cláusulas de governança como tag along, direito de veto e assento no conselho reduzem os descontos aplicados à participação minoritária.
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Preparar a empresa, criar competição entre compradores e alinhar expectativas sobre o papel do fundador são fatores que impactam diretamente o preço final.
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Para estruturar uma venda parcial que maximize o valor da sua participação, fale com a igc partners.
Introdução: por que avaliar uma empresa para venda parcial exige cuidado redobrado
Vender uma participação minoritária da empresa é diferente de vender o controle total. O comprador não assume todas as decisões e, por isso, tende a aplicar descontos relevantes no preço.
Este guia mostra o passo a passo para o empreendedor ou a empreendedora entender como esses descontos funcionam, como usar os métodos de valuation e como negociar proteções contratuais que preservam o valor da participação.
Passo 1: entender por que a avaliação para venda parcial é diferente
Quando um comprador adquire 100% de uma empresa, ele paga um prêmio de controle, um valor adicional pelo direito de tomar todas as decisões, como definir estratégia, remunerar executivos, distribuir dividendos, vender ativos e determinar o futuro do negócio.
Em uma venda parcial, o raciocínio se inverte. Uma participação sem controle tende a ser precificada com desconto por minoria, uma redução proporcional aplicada porque o comprador não terá poder de decisão pleno.
Além do desconto por controle, existe o desconto por falta de liquidez, a penalidade aplicada porque ações de empresas de capital fechado são difíceis de vender rapidamente. Os dois descontos se aplicam de forma multiplicativa, não aditiva. O efeito combinado pode ser substancial.
Alguns fatores determinam o tamanho desses descontos. Entre eles estão assento no conselho de administração, poder de veto sobre decisões estratégicas, cláusulas de tag along, direito do minoritário de vender nas mesmas condições do majoritário em caso de mudança de controle, direitos de informação e permanência do fundador na gestão.
Uma venda parcial bem estruturada pode reduzir significativamente esses descontos. A assessoria especializada ajuda a desenhar essa estrutura e a negociar os pontos de governança que mais influenciam o preço.
Passo 2: conhecer os três principais métodos de valuation
O valuation, avaliação econômica da empresa, parte de três métodos principais. Qualquer número gerado por esses métodos representa um valor indicativo, não uma promessa de preço final. O que move o preço para cima é a combinação de competição entre compradores qualificados e alavancas de valor claras na companhia.
Um assessor experiente usa o valuation como base técnica e trabalha para que o preço reflita o interesse real dos compradores, e não apenas um múltiplo teórico.
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Fluxo de caixa descontado (DCF): esse método projeta os resultados que a empresa pode gerar ao longo do tempo, em geral de 5 a 10 anos, estima um valor terminal e traz tudo a valor presente por uma taxa de desconto que reflete o risco do negócio. Esse é o método predominante para estimar o valor econômico de empresas em operação contínua. O valor terminal costuma representar de 60% a 80% do valor total calculado.
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Múltiplos de mercado: esse método compara a empresa com pares listados em bolsa, usando métricas como EV/EBITDA, valor da empresa dividido pelo EBITDA. A base para esses múltiplos é sempre o EBITDA ajustado, que remove itens não recorrentes e despesas que não se manteriam com um novo sócio, como pró-labore acima de mercado ou gastos pessoais lançados na empresa.
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Múltiplos de transações comparáveis: esse método usa transações recentes do setor como referência. Ele costuma embutir um prêmio de controle de 20% a 30% em relação aos múltiplos de empresas listadas. Isso o torna especialmente útil para entender a diferença entre o valor de uma participação com controle e o valor de uma participação minoritária.
Na prática, o assessor combina os três métodos para chegar a um intervalo de valores. A posição da empresa dentro desse intervalo depende do tipo de comprador e do que esse comprador enxerga de ganhos ao entrar no negócio.

Passo 3: calcular o valor de uma participação minoritária e o desconto por minoria
Uma participação de 30% em uma empresa não vale automaticamente 30% do valor total da companhia. O desconto por minoria existe porque o comprador de uma fatia sem controle não pode, sozinho, decidir o futuro do negócio.
Considere um exemplo prático. Uma empresa com EBITDA ajustado anual de R$ 2 milhões e um múltiplo de mercado de 6 vezes resulta em um valuation de R$ 12 milhões. Uma participação de 30% teria valor nominal de R$ 3,6 milhões. Se essa participação não incluir direitos de governança relevantes, como assento no conselho, poder de veto e tag along, o comprador tende a aplicar um desconto por minoria. Com um desconto de 20%, o valor efetivo cai para R$ 2,88 milhões.
A diferença entre R$ 3,6 milhões e R$ 2,88 milhões é relevante. Ela pode aumentar quando o comprador combina o desconto por falta de controle com o desconto por falta de liquidez. Considere um valor de empresa em nível de controle de US$ 10 milhões. Com desconto por falta de controle de 20% e desconto por falta de liquidez de 30%, o resultado é US$ 5,6 milhões. Isso representa um desconto efetivo combinado de 44%, porque os dois descontos são multiplicativos.
Negociar proteções contratuais robustas ajuda a reduzir esses descontos. Entre essas proteções estão tag along, direito de veto sobre matérias reservadas, como grandes aquisições, emissão de novas ações e mudança de controle, assento no conselho e direitos de informação estruturados. Na igc, essa negociação integra o processo de venda. As cláusulas de governança funcionam como alavancas de valor, não apenas como detalhes contratuais.
Passo 4: avaliar a governança e o alinhamento de expectativas
Um comprador de fundo de private equity ou um investidor estratégico que entra como sócio parcial compra mais do que uma fatia do resultado financeiro. Em uma venda parcial, o investidor assume a parceria e a continuidade da gestão, além do negócio em si. A governança passa a fazer parte do preço.
O empreendedor ou a empreendedora que considera uma venda parcial precisa se preparar para um novo nível de formalização. Isso inclui demonstrações financeiras auditadas, relatórios gerenciais estruturados, conselho de administração com reuniões periódicas e métricas operacionais regulares. Investidores minoritários institucionais costumam exigir esse padrão de informação.
Além da estrutura formal, o alinhamento estratégico é decisivo. O fundador precisa definir se quer continuar no comando operacional. O investidor precisa esclarecer até que ponto quer participar das decisões estratégicas. Essas expectativas precisam ficar claras antes do fechamento. Conflitos sobre o futuro da empresa costumam destruir valor após uma venda parcial.
A igc atua como facilitadora nesse alinhamento. O time estrutura as conversas sobre governança antes da negociação de preço, para que o acordo societário reflita os objetivos reais de ambas as partes, e não apenas o número da transação.
Passo 5: exemplo prático de valuation em uma empresa que fatura R$ 300 mil por mês
Um exemplo ajuda a visualizar o impacto dos descontos e das proteções. Considere uma empresa fictícia com faturamento mensal de R$ 300 mil, ou R$ 3,6 milhões por ano, e EBITDA ajustado anual de R$ 2 milhões.
Com um múltiplo de 6 vezes, o valuation chega a R$ 12 milhões. Se o empreendedor ou a empreendedora vender 30% da empresa, o valor nominal será R$ 3,6 milhões. Com um desconto por minoria de 20%, aplicado por ausência de proteções contratuais, o valor efetivo cai para R$ 2,88 milhões, uma diferença de R$ 720 mil.
Agora, considere o mesmo cenário com proteções negociadas, como tag along, assento no conselho e poder de veto sobre matérias reservadas. Com essas proteções, o desconto por minoria pode cair de 20% para 10% ou menos. O valor efetivo da participação sobe de R$ 2,88 milhões para R$ 3,24 milhões ou mais.
Um processo competitivo com múltiplos compradores também pode elevar o múltiplo de 6 vezes para 7 ou 8 vezes. Nesse caso, o valuation base passa de R$ 12 milhões para R$ 14 milhões ou R$ 16 milhões, e o valor da participação de 30% aumenta na mesma proporção.
Esse é o efeito combinado de proteções contratuais bem desenhadas e competição entre compradores. Nenhum comprador costuma fazer sua oferta máxima quando acredita estar sozinho. Mas mesmo com um bom valuation, erros de processo podem destruir valor. Veja os mais comuns a seguir.
Passo 6: evitar os erros comuns na venda parcial
Os erros que mais destroem valor em uma venda parcial costumam estar ligados à preparação e ao processo, não apenas à técnica de valuation.

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Não considerar o desconto por minoria: aceitar que uma participação de 30% vale exatamente 30% do valuation total, sem negociar proteções que reduzam esse desconto. Esse erro se conecta ao risco de aceitar a primeira oferta sem competição, porque um comprador sem concorrentes tende a pressionar o preço para baixo.
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Aceitar a primeira oferta sem competição: a ausência de competição é uma das maiores fontes de valor perdido em vendas de empresa. Um comprador que sabe que não tem concorrentes negocia com mais poder e usa esse cenário para reduzir o preço.
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Não preparar a empresa para a due diligence: a due diligence, processo de investigação detalhada que o comprador realiza sobre a empresa, tende a encontrar o que não foi antecipado. Cada achado vira argumento de desconto no preço ou de mudança nas condições.
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Ignorar cláusulas de governança: negociar apenas o percentual e o preço, sem definir direitos de veto, assento no conselho, política de dividendos e mecanismos de saída futura, cria espaço para conflitos e perda de valor no médio prazo.
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Não alinhar expectativas sobre o papel do fundador: conflitos sobre quem decide o quê após o fechamento estão entre as principais causas de deterioração de valor e de relações societárias problemáticas.
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Concentrar a empresa no fundador: empresas com alta dependência do fundador podem valer menos. Reduzir essa dependência nos meses anteriores à venda é uma das alavancas de valor com maior retorno disponível.
Passo 7: maximizar o valor da venda parcial com a igc
O empreendedor ou a empreendedora não precisa esperar a decisão definitiva de vender para conversar com a igc. Quanto antes a conversa começar, melhor, tanto para entender o valor atual da empresa quanto para se organizar e buscar o melhor resultado no futuro. Um processo bem conduzido leva, em média, de 9 a 15 meses, com 2 a 4 meses dedicados apenas à preparação.
Na igc, o processo de venda parcial começa pela fase de preparação. Essa fase inclui diagnóstico da empresa, pré-diligência interna, elaboração da tese de investimento e definição das opções de transação, tudo sob sigilo total, antes de qualquer contato com o mercado. Essa etapa separa a empresa que chega ao mercado preparada daquela que reage a perguntas para as quais não tem resposta pronta.
Em seguida, vem o roadshow, processo de apresentação da empresa a compradores qualificados, e as negociações. Cada etapa tem um propósito. O teaser anônimo desperta interesse sem revelar a identidade da empresa. Os acordos de confidencialidade, ou NDAs, protegem informações sensíveis. As apresentações para potenciais compradores, ou management presentations, aprofundam o conhecimento do negócio. As propostas não vinculantes, ou NBOs, formalizam o interesse. O objetivo é criar competição real entre compradores, com impacto direto no preço.
A igc atua em dez setores: Agro, Business Services, Consumo, Varejo & Educação, Indústria, IT & Professional Services, Químicos, Real Estate, Saúde, Serviços Financeiros e Tech. Em cada um deles, times de sócios, associados e analistas dedicados conhecem as alavancas de valor específicas do setor e sabem quais compradores, no Brasil e no exterior, estão com apetite para aquele tipo de ativo. Mais de 50% das transações da igc envolvem compradores estrangeiros, o que amplia o universo de interessados e aumenta a pressão competitiva sobre o preço.

A igc é a única casa de fusões e aquisições com escala para ter especialistas dedicados em todos esses setores ao mesmo tempo. Boutiques de um único setor ou boutiques generalistas não oferecem essa combinação de especialização e escala. Essa estrutura garante leitura precisa do mercado e competição concreta em torno do ativo.
Fale conosco e entenda como a igc pode estruturar o processo de venda parcial da sua empresa. Ao final, fica claro que o valor da sua participação é uma decisão estratégica, não apenas financeira.
Conclusão: o valor da sua participação é uma decisão estratégica
Vender uma parte da empresa envolve controle, governança, liquidez, proteções contratuais e alinhamento de expectativas sobre o futuro do negócio. O valuation funciona como ponto de partida, não como destino.
O valor final da participação resulta da combinação de uma empresa bem preparada, proteções contratuais bem negociadas e um processo competitivo com compradores qualificados. Cada um desses elementos pode mover o preço de forma relevante, para cima ou para baixo.
Juliano Cornacchia, da Vórtx, resume esse efeito ao comentar um processo conduzido com a igc: “Um ano e meio depois de fazer um round sozinho, com a igc conseguimos um valuation seis vezes maior. A diferença veio da estrutura, do preparo e do jeito certo de contar nossa história”.

Para estruturar o seu deal de forma alinhada aos seus objetivos, fale com a igc.
Perguntas frequentes: respostas rápidas para dúvidas comuns
O que é desconto por minoria e como ele afeta o preço da participação?
O desconto por minoria é a redução aplicada ao valor proporcional de uma participação societária quando ela não confere controle sobre as decisões da empresa. Como vimos no Passo 3, uma participação de 30% em uma empresa avaliada em R$ 12 milhões teria valor nominal de R$ 3,6 milhões. Sem assento no conselho, poder de veto ou direito de tag along, o comprador percebe mais risco e paga menos.
Como apresentado no Passo 1, o desconto por falta de controle costuma variar entre 15% e 30%, dependendo dos direitos de governança vinculados à participação. A forma de reduzir o desconto é negociar proteções contratuais robustas, como tag along, veto sobre matérias reservadas, assento no conselho e direitos de informação estruturados.
Qual é a diferença entre vender 100% da empresa e fazer uma venda parcial?
Como explicado no Passo 1, a venda total envolve um prêmio de controle que costuma ficar entre 20% e 40% acima do valor proporcional das ações. Na venda parcial, o comprador não obtém controle pleno e não paga esse prêmio.
A principal diferença prática é que o fundador mantém participação no negócio e pode capturar o crescimento futuro da empresa. A estrutura da operação, como percentual vendido, direitos de governança, mecanismos de saída futura e política de dividendos, importa tanto quanto o preço.
Como o tag along e o drag along afetam o valuation em uma venda parcial?
O tag along é o direito do sócio minoritário de vender sua participação nas mesmas condições oferecidas ao majoritário em caso de mudança de controle. Esse direito protege o minoritário de ficar preso no negócio após uma troca de controlador e reduz o risco percebido pelo comprador, o que sustenta um preço melhor.
O drag along é o direito do majoritário de exigir que os minoritários vendam junto em uma operação de venda total da empresa. Esse direito aumenta a viabilidade de transações futuras e costuma ser relevante para compradores que planejam adquirir 100% da companhia em algum momento.
Ambas as cláusulas precisam estar bem redigidas no acordo de sócios. Cláusulas mal definidas são fontes frequentes de litígio em transações de fusões e aquisições. A presença de tag along e drag along bem estruturados sinaliza governança madura e pode elevar a confiança do comprador.
Quais são os métodos de valuation mais usados em vendas parciais no Brasil?
Os três métodos principais são fluxo de caixa descontado, múltiplos de mercado e múltiplos de transações comparáveis. O fluxo de caixa descontado projeta os resultados futuros da empresa e os traz a valor presente por uma taxa de desconto que reflete o risco do negócio. Esse método captura o valor intrínseco da companhia.
Os múltiplos de mercado comparam a empresa com pares listados em bolsa, usando métricas como EV/EBITDA. Os múltiplos de transações comparáveis usam transações recentes do setor como referência e capturam o prêmio de controle pago em operações reais.
Na prática, os três métodos se combinam para formar um intervalo de valor. A base para todos eles é o EBITDA ajustado, que remove itens não recorrentes e despesas que não se manteriam com um novo sócio. Cada ajuste bem fundamentado se multiplica no preço final. O número gerado pelos métodos é indicativo. A competição entre compradores qualificados é o fator que efetivamente define o preço.
Quando faz sentido fazer uma venda parcial em vez de vender 100% da empresa?
A venda parcial faz sentido quando o fundador quer diversificar patrimônio sem abrir mão do negócio, quando a empresa precisa de capital ou de um parceiro estratégico para dar o próximo passo de crescimento ou quando o empreendedor ou a empreendedora quer manter participação no potencial de valorização futura da companhia.
Esse tipo de operação também é relevante em contextos de sucessão familiar, quando a família quer trazer um sócio financeiro ou estratégico para profissionalizar a gestão sem vender o controle.
A venda total tende a fazer mais sentido quando o fundador prioriza liquidez imediata e previsibilidade ou quando a criação de valor futura depende de recursos ou capacidades que ele não tem condições de desenvolver sozinho. A decisão entre venda total e venda parcial deve partir do objetivo do empreendedor ou da empreendedora. A estrutura da operação vem como consequência dessa definição.