Escrito por: Murilo Oliveira, Sócio, igc partners (https://www.linkedin.com/in/murilo-capellini-carvalho-de-oliveira-702844a1)
Principais lições
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O valuation é uma estimativa técnica, não o preço final. O valor de venda se forma pela competição entre compradores e pelas alavancas de valor que cada um enxerga.
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Os métodos mais usados são o Fluxo de Caixa Descontado (DCF), os múltiplos de mercado e os múltiplos de transações comparáveis. Combinar DCF com múltiplos traz mais segurança.
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O EBITDA ajustado corrige distorções contábeis e pode alterar o valuation de forma relevante, tanto para cima quanto para baixo.
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Faturamento não é valor. Compradores pagam pelo lucro que o negócio gera e que tende a continuar depois da saída do fundador.
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Um processo de venda competitivo e bem estruturado tende a elevar o preço acima do valuation inicial. Descubra como transformar o valuation da sua empresa em valor real de venda.
Passo 1: entender o que é valuation e por que ele importa
O valuation estima o valor econômico de uma empresa em determinado momento. Ele serve como ponto de partida para decisões como venda, captação de recursos, entrada de sócio, planejamento sucessório ou gestão patrimonial.

Para o empreendedor ou a empreendedora que nunca vendeu uma empresa, o valuation cumpre uma função central. Ele cria um parâmetro concreto. Sem esse número, qualquer proposta parece boa ou ruim sem base para comparação.
O resultado de qualquer método de valuation é uma estimativa técnica. O preço que o mercado paga depende da competição entre compradores qualificados e das alavancas de valor que cada um enxerga na empresa. Um bom assessor calcula o valuation e também estrutura o processo para que o preço final supere a simples aplicação de um múltiplo.
O empreendedor ou a empreendedora não precisa estar decidido a vender para conversar com a igc. Quanto antes entender o valor da empresa e o que pode ser melhorado, mais tempo terá para construir esse valor antes de qualquer decisão.
Converse com nossos especialistas para saber o valor da sua empresa.
Passo 2: conhecer os principais métodos de valuation
Na prática do mercado brasileiro, os métodos mais usados para avaliar empresas de capital fechado são o Fluxo de Caixa Descontado (DCF), os múltiplos de mercado e os múltiplos de transações comparáveis. Para ilustrar, este texto usa uma prestadora de serviços de TI com faturamento anual de R$ 6 milhões e EBITDA, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, de R$ 1,2 milhão.
Fluxo de caixa descontado (DCF)
O método de Fluxo de Caixa Descontado projeta os fluxos de caixa futuros da empresa e traz esses valores a preço de hoje. A taxa de desconto usada reflete o risco do negócio. A teoria financeira considera esse método o mais robusto, porque ele pergunta diretamente quanto caixa o negócio deve gerar no futuro.

No exemplo da empresa prestadora de serviços de TI, se ela gerar R$ 1,35 milhão de caixa por ano nos próximos cinco anos, com desconto de 15% ao ano, o valor presente desses fluxos fica em torno de R$ 4,5 milhões. Somando o valor terminal, que é a estimativa do valor da empresa depois desse período de projeção, o DCF indica algo entre R$ 8 milhões e R$ 9 milhões.
Esse método exige atenção às premissas. Uma mudança de 1 ponto percentual na taxa de desconto pode alterar o resultado em 15% a 20%. Premissas otimistas sem base operacional distorcem o número.
Múltiplos de mercado
O método de múltiplos usa empresas comparáveis, de capital aberto ou transações recentes, para definir um fator aplicado sobre o EBITDA, a receita ou o lucro. Esse é o método mais comum em fusões e aquisições de empresas de médio porte. Ele é simples, permite comparação com outras operações e costuma ser bem aceito em negociação.
A tabela abaixo apresenta faixas ilustrativas de múltiplos de EBITDA por setor no Brasil, com base em observações de mercado. Essas faixas variam conforme o porte, a lucratividade e o momento do mercado.
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Setor |
Múltiplo de EBITDA típico (faixa ilustrativa) |
Fator principal de valor |
|---|---|---|
|
SaaS e tecnologia |
8x – 15x |
Receita recorrente e retenção |
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Saúde e educação |
Varia por segmento e porte |
Escala e previsibilidade |
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Indústria |
4x – 7x (middle market) |
Investimento em ativos fixos e participação de mercado |
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Varejo |
4x – 7x |
Margem e giro de estoque |
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Serviços |
5x – 8x (B2B) |
Contratos recorrentes |
Dentro desse método, o múltiplo de receita funciona como um atalho quando o EBITDA é negativo, distorcido ou pouco relevante. Esse tipo de múltiplo aparece com frequência em empresas em fase de crescimento acelerado, em que a prioridade é ganhar escala.
Combinar DCF e múltiplos para ganhar segurança
O DCF oferece uma visão detalhada, porém sensível às premissas. Os múltiplos trazem uma referência rápida e ancorada em transações reais. A prática mais segura é usar o DCF como método principal e os múltiplos como verificação de razoabilidade. Em empresas de médio porte, o múltiplo de EBITDA costuma ser o ponto de partida da negociação, enquanto o DCF funciona como validação.
Passo 3: usar o faturamento como estimativa rápida
Uma dúvida recorrente é quanto vale uma empresa a partir do faturamento mensal. Uma forma simples de chegar a um número inicial é aplicar múltiplos de receita. Uma empresa que fatura R$ 50 mil por mês, ou R$ 600 mil por ano, pode valer entre 0,6 e 1,0 vez o faturamento anual, dependendo do setor e da lucratividade, em um cenário ilustrativo com margem de serviço próxima de 20%. Nesse exemplo, o intervalo fica entre R$ 360 mil e R$ 600 mil.
Esse cálculo serve apenas como ponto de partida. O múltiplo de receita é mais útil quando o EBITDA está negativo, distorcido ou pouco representativo. Para chegar a um valuation mais preciso, é necessário analisar o EBITDA, o histórico e o potencial de crescimento, o risco do negócio e o perfil de compradores interessados. Um faturamento alto com margem baixa tende a valer menos do que um faturamento menor com rentabilidade sólida.
Para entender o valor da sua empresa com base nos números concretos do negócio, agende uma conversa com o time da igc.
Passo 4: ajustar o EBITDA para refletir a realidade do negócio
O EBITDA contábil raramente mostra a geração de caixa que um comprador enxerga. O EBITDA ajustado corrige esse número. Ele remove itens que não devem continuar com um novo dono, como pró-labore acima do mercado, despesas pessoais lançadas na empresa e eventos não recorrentes, por exemplo, multas e indenizações já encerradas.
No caso da empresa prestadora de serviços de TI, o efeito dos ajustes aparece na tabela a seguir.
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Item |
Valor |
Impacto no EBITDA |
Efeito no valuation (6x) |
|---|---|---|---|
|
EBITDA contábil |
R$ 1.200.000 |
Base |
R$ 7.200.000 |
|
Pró-labore acima do mercado |
+ R$ 100.000 |
Adicionado de volta |
+ R$ 600.000 |
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Despesas não recorrentes |
+ R$ 50.000 |
Adicionado de volta |
+ R$ 300.000 |
|
EBITDA ajustado |
R$ 1.350.000 |
Base ajustada |
R$ 8.100.000 |
A diferença entre o EBITDA contábil e o ajustado gerou um aumento próximo de R$ 1 milhão no valuation. Em empresas brasileiras de médio porte, esses ajustes podem alterar o EBITDA contábil de forma relevante, tanto para cima quanto para baixo. Para aprofundar esse tema, veja o artigo X.
Passo 5: evitar os erros mais comuns ao calcular o valuation
Um erro frequente entre fundadores é usar o faturamento como referência direta do valor que um comprador pagará. Compradores pagam pelo lucro que o negócio gera e que tende a continuar depois da saída do fundador.
Os erros mais comuns que o empreendedor ou a empreendedora comete ao calcular o próprio valuation são:
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Confundir faturamento com valor. O que importa é a rentabilidade, e não apenas o tamanho da receita. Em geral, uma empresa que fatura R$ 20 milhões com margem de 3% tende a valer menos do que uma empresa que fatura R$ 5 milhões com margem de 25%. O valuation se baseia na geração de caixa e lucro, como nos múltiplos de EBITDA, e não no faturamento bruto. O valor final ainda depende de fatores como dívida, crescimento, risco e setor.
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Usar apenas o método patrimonial em empresa de serviços. Esse método soma ativos e subtrai passivos, mas ignora intangíveis como marca, carteira de clientes e equipe. Em serviços, esses elementos costumam ser o principal motivo de interesse de um comprador.
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Esquecer de ajustar o EBITDA. Despesas pessoais e itens não recorrentes distorcem o número. Esses ajustes podem subestimar ou superestimar o valor em 20% a 40%.
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Ancorar-se em manchetes de mercado. Múltiplos de empresas de capital aberto não se aplicam de forma direta a empresas fechadas, que costumam ter desconto por falta de liquidez.
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Tratar o valuation como preço final. O valuation funciona como ponto de partida. O preço efetivo depende da negociação e do nível de competição entre compradores.
Passo 6: encaixar o valuation em um processo de venda estruturado
O valuation faz parte da preparação para a venda. Ele se integra a um processo mais amplo. Na igc, o processo de venda se organiza em três fases. A fase de Preparação leva em média de dois a quatro meses. A fase de roadshow e negociações dura de três a cinco meses. A fase de diligência e contratos costuma levar de três a seis meses ou mais. O valuation é construído na fase de Preparação, antes da abordagem a compradores.

A competição entre compradores é o principal fator que transforma o valuation em preço de venda. Em um processo competitivo, cada comprador precisa decidir quanto o negócio vale para vencer a disputa, e não apenas quanto preferiria pagar. Esse movimento tende a elevar o preço e também a melhorar termos como earn-out, escrow e segurança de fechamento.

No exemplo da empresa prestadora de serviços de TI, um múltiplo de 6 vezes o EBITDA ajustado gera um valuation de R$ 8,1 milhões. Em um cenário com competição entre compradores, o múltiplo pode subir para 7 ou 8 vezes. O valor passa para R$ 9,45 milhões ou R$ 10,8 milhões, um aumento de 17% a 33% em relação ao valuation inicial.
Essa diferença entre o valuation inicial e o preço final, impulsionada pela competição, é o que uma fundadora descreveu com precisão:
“Eu descobri coisas na minha empresa que nem eu sabia. Eu diria que empresas familiares deveriam fazer o processo mesmo sem intenção de vender. É aí que você vê o que é realmente valioso na sua empresa. Sem a igc o valor da empresa que vendemos seria entre 20% ou 30% menor.” — Joan Torrent, Oligo Basics (Agro)
Passo 7: saber quando buscar ajuda profissional
Para uma estimativa inicial, o empreendedor ou a empreendedora pode aplicar os métodos descritos neste texto. Para uma venda ou captação de recursos, a recomendação é contar com uma assessoria especializada. Essa conversa pode começar antes da decisão formal de vender. Um início antecipado abre espaço para organizar a empresa, identificar alavancas de valor e chegar ao mercado mais preparado.
A igc partners é a maior casa de fusões e aquisições da América Latina, com atuação exclusiva no sell-side, o lado de quem vende, desde 1997. São mais de 550 transações concluídas, 35 sócios, mais de 200 especialistas e acesso direto a mais de 6.000 compradores estratégicos e financeiros no Brasil e no exterior, com mais de metade das transações envolvendo compradores estrangeiros. O ranking da Mergermarket aponta a igc como líder em fusões e aquisições sell-side na América Latina, com 118 transações concluídas nos últimos cinco anos, em dados de junho de 2026.

A igc opera como dez boutiques setoriais dentro de uma única casa. Cada uma conta com sócios, associados e analistas dedicados a um setor específico: Agro, Business Services, Consumo, Varejo e Educação, Indústria, IT e Professional Services, Químicos, Real Estate, Saúde, Serviços Financeiros e Tech. Essa estrutura combina especialização setorial com escala suficiente para gerar competição entre compradores. Em geral, o mercado oferece boutiques focadas em um único setor ou boutiques generalistas sem time dedicado a nenhum setor.
Um assessor especializado calcula o valuation, prepara a empresa, constrói a tese de investimento e organiza a competição entre compradores. Esse conjunto de ações tende a elevar o valor acima do valuation inicial. Como resumiu Juliano Cornacchia, da Vórtx:
“Um ano e meio depois de fazer um round sozinho, com a igc conseguimos um valuation seis vezes maior. A diferença veio da estrutura, do preparo e do jeito certo de contar nossa história.” — Juliano Cornacchia, Vórtx (Serviços Financeiros)
Agende uma conversa para preparar sua empresa para a venda.
Perguntas frequentes sobre valuation de empresa
Qual é o método de valuation mais usado?
Na prática de fusões e aquisições, o múltiplo de EBITDA é o método mais usado para empresas de médio porte. Ele é simples, defensável e comparável com outras transações do setor. O método de Fluxo de Caixa Descontado é mais robusto em teoria, porém muito sensível às premissas adotadas, por isso funciona melhor como validação do que como único método. Em empresas menores, com EBITDA negativo ou em setores de crescimento acelerado, múltiplos de receita também aparecem com frequência.
Quanto vale uma empresa que fatura R$ 50 mil por mês?
Uma estimativa rápida usa múltiplos de receita. Como mostrado no passo 3, uma empresa que fatura R$ 50 mil por mês pode valer entre R$ 360 mil e R$ 600 mil em um cenário ilustrativo. Esse intervalo é apenas um ponto de partida. O valuation real exige análise do EBITDA, do crescimento, dos riscos e do perfil de compradores para aquele tipo de negócio.
O valuation é o preço de venda?
O valuation representa um valor indicativo, calculado com base em métodos financeiros. O preço final depende de quem compra, das sinergias que esse comprador enxerga e, principalmente, do nível de competição entre compradores no processo de venda. Nenhum comprador apresenta sua melhor oferta quando acredita estar sozinho. Um processo competitivo bem estruturado tende a elevar o preço acima do valuation inicial.
O que é EBITDA?
EBITDA é a sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Esse indicador mostra de forma aproximada a geração de caixa operacional da empresa, ou seja, quanto o negócio produz antes do custo do financiamento e dos efeitos contábeis de depreciação. O mercado usa o EBITDA como base principal para o cálculo do valuation por múltiplos. O EBITDA ajustado vai além e remove itens que não se manteriam com um novo dono, como pró-labore acima do mercado e despesas pessoais lançadas na empresa.
Preciso de um assessor para calcular o valuation?
Para uma estimativa inicial, o empreendedor ou a empreendedora pode usar os métodos apresentados neste guia. Para uma venda ou captação de recursos, o apoio de um assessor especializado tende a fazer diferença relevante. Esse profissional prepara a empresa, constrói a narrativa de investimento e organiza a competição entre compradores qualificados. Sem assessoria, o empreendedor ou a empreendedora negocia sozinho, com menos referências de mercado e menor competição, o que costuma ser a principal fonte de valor perdido em vendas de empresa.
Conclusão: usar o valuation como base para decisões melhores
O valuation funciona como ferramenta de gestão e planejamento. Ele responde à pergunta “quanto vale minha empresa?” com base em métodos financeiros e dados de mercado. O valor efetivo se forma no mercado, a partir da competição entre compradores e das alavancas de valor que o empreendedor ou a empreendedora consegue construir antes e durante o processo de venda.
Se você quer entender quanto vale sua empresa ou recebeu uma proposta e não sabe como avaliar, o primeiro passo é uma conversa franca com quem domina esse processo. Essa conversa pode acontecer mesmo sem uma decisão tomada sobre vender. Um diálogo antecipado amplia o tempo disponível para construir valor e chegar ao mercado preparado.
Descubra como transformar o valuation da sua empresa em valor real de venda.