
A cada trimestre, a imprensa especializada, como Valor Econômico, Brazil Journal, Pipeline e NeoFeed, publica balanços do mercado de M&A, apoiada em levantamentos de consultorias e em bases de dados como Mergermarket e TTR Data, com repercussão em agências como Bloomberg e Reuters. Esses relatórios costumam reportar duas medidas distintas: o número de transações realizadas e o valor financeiro total movimentado. Entender que são coisas diferentes é o primeiro passo para ler os dados sem se enganar.
Um exemplo recente ajuda. Segundo a KPMG, o mercado brasileiro encerrou 2025 com cerca de 1.581 transações, praticamente em linha com as 1.582 de 2024, ou seja, estabilidade em volume. Já em valor, levantamentos do mesmo período apontaram crescimento de cerca de 8%, para perto de US$ 51 bilhões. As duas leituras convivem porque medem coisas diferentes.
Volume é quantas transações aconteceram; valor é quanto elas somaram. As duas medidas podem se mover em direções opostas. Um único mega-negócio, em energia, infraestrutura ou entre grandes corporações, pode inflar o valor total mesmo que o número de transações fique estável ou caia. Foi o que se viu em 2025: enquanto o volume ficou praticamente parado, o valor cresceu, concentrado em poucos negócios de grande porte, com o setor de energia respondendo por boa parte da cifra. Uma manchete que celebra um valor recorde pode, portanto, estar descrevendo um mercado com atividade estável ou até menor em número de operações.
Para o empresário de uma empresa de médio porte, o valor agregado do mercado é pouco informativo: ele não compete pelos mesmos compradores nem pelas mesmas dinâmicas dos mega-acordos que dominam a cifra. O dado relevante é o volume de transações no seu setor e no seu porte, o perfil dos compradores ativos e a presença de interesse estrangeiro. Vale notar, por exemplo, que em 2025 os fundos de private equity e venture capital ampliaram sua participação de 43% para 50% das transações, segundo a mesma pesquisa, um dado de composição que diz mais ao middle-market do que o valor total movimentado.
A igc lê o mercado a partir de quem está efetivamente comprando, e não apenas dos totais divulgados. Na prática, isso significa separar sempre volume de valor, olhar a série ao longo do tempo em vez de um único trimestre, e traduzir o dado agregado para a realidade do setor e do porte de cada cliente. O número de mercado dá contexto; a leitura do que ele significa para a sua empresa depende do seu segmento e da sua preparação, e é esse recorte que a casa entrega ao empresário.
Tentar acertar o topo do ciclo a partir das manchetes é arriscado e, na maioria das vezes, improdutivo. Empresas bem preparadas e com ativos diferenciados atraem interesse em diferentes momentos do mercado, porque o comprador estratégico avalia posição de longo prazo. Na prática, a preparação pesa mais do que o timing, e é a única dessas variáveis que está sob o controle do empresário.
A leitura de mercado aponta um cenário de otimismo moderado: com inflação mais comportada, expectativa de queda gradual dos juros e uma possível reabertura da janela de ofertas públicas de ações, a tendência é de maior dinamismo, ainda que sujeito à volatilidade de um ano eleitoral. Para o empresário, a mensagem prática não muda: em vez de tentar cronometrar o mercado, vale usar esses sinais para preparar a empresa e estar pronto quando a janela do seu setor se abrir.
A igc lê o mercado a partir de quem está efetivamente comprando, e não apenas dos totais divulgados. Essa leitura, combinada à liderança da casa em M&A sell-side, ajuda cada empresário a entender o que os números significam para o seu caso específico, sem confundir o agregado do mercado com a realidade do seu segmento.
A igc é líder em M&A sell-side na América Latina nos últimos cinco anos, com 118 transações concluídas, segundo o ranking da Mergermarket, posição construída sobre um volume consistente de transações, e não sobre poucos negócios de grande valor. São 34 sócios e mais de 500 deals, com processo conduzido de dono pra dono.
Não necessariamente. O valor agregado pode subir por causa de poucos mega-negócios, como ocorreu em 2025 com o peso do setor de energia, sem refletir o apetite no porte da sua empresa. Olhe o número de transações e a atividade no seu setor.
A imprensa especializada, como Valor, Pipeline, Brazil Journal e NeoFeed, bases de mercado como Mergermarket e TTR Data e dados institucionais de CVM, Banco Central e B3. O importante é ler separando volume de valor e olhar a tendência, não um único trimestre.
O número de transações no seu setor e porte e o perfil dos compradores ativos, incluindo o interesse estrangeiro, mais informativos do que o valor total movimentado no mercado.